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Avanço de javalis ameaça produção e biodiversidade em MG

PROLIFERAÇÃO
ESCRITO POR FERNANDA TEIXEIRA, DE BELO HORIZONTE
18/09/2026 . SISTEMA FAEMG, SINDICATOS, SENAR, FAEMG

Sistema Faemg Senar defende ações integradas para conter a proliferação da espécie e reduzir prejuízos no campo

Considerado uma das cem piores espécies exóticas invasoras do mundo, o javali está presente em diversos estados brasileiros

A expansão descontrolada de javalis e javaporcos tem provocado prejuízos à produção rural, ameaçado a fauna nativa e aumentado os riscos sanitários em diferentes regiões do Brasil. Em Minas Gerais, o problema afeta especialmente áreas produtoras do Triângulo Mineiro e do Alto Paranaíba, onde produtores relatam danos a lavouras, recursos hídricos e áreas de preservação ambiental.

Segundo relatório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), divulgado em 2022, Minas Gerais é o terceiro estado brasileiro com maior número de municípios com registro de presença de javalis. São 198 cidades, sendo 64 classificadas com prioridade extremamente alta sob o aspecto ambiental, por abrigarem áreas com fauna e flora mais sensíveis.

O tema foi discutido no Fórum Faesp/Senar/CNA – Javalis e javaporcos: impactos, estratégias e ações coordenadas, realizado em São Paulo. O encontro reuniu representantes do setor agropecuário, pesquisadores, órgãos de defesa sanitária e autoridades públicas para debater estratégias de controle populacional da espécie exótica invasora e a construção de uma ação nacional integrada.

Representando o Sistema Faemg Senar, o analista de sustentabilidade Guilherme Oliveira destacou a necessidade de articulação entre estados e instituições para enfrentar o problema.

“A ação integrada entre entidades de diversos setores e de diversos estados é fundamental, pois o javali é uma espécie que representa sérios riscos sanitários, para a saúde humana e ambiental, já que não há predadores naturais para o animal no Brasil. Ele causa sérios danos à fauna e à flora local e, se não houver essa integração de ações entre os estados e órgãos competentes, o controle torna-se impossível”, alertou.

Danos à produção e ao meio ambiente

Considerado uma das cem piores espécies exóticas invasoras do mundo, o javali está presente em diversos estados brasileiros. Em Minas Gerais, os impactos também alcançam áreas protegidas e recursos hídricos. Presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Sacramento e do Núcleo dos Sindicatos dos Produtores Rurais do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, Osny Zago relata ocorrências na região.

“Os javalis têm provocado danos no campo e em áreas de proteção ambiental, como o Parque Nacional da Serra da Canastra, onde destroem a vegetação. Em Sacramento, chegaram a mudar o curso do córrego que abastece o município, devido ao hábito de fuçar a terra e formar barreiros, comprometendo também a qualidade da água. Além disso, atacam aves como emas, perdizes e codornas, destruindo ninhos e comendo filhotes”, relatou.

Segundo Osny, na cultura do milho, por exemplo, houve uma redução de 50% no plantio em razão dos ataques. "Muitos produtores migraram para o sorgo, mas os javalis já estão consumindo essa cultura e provocando danos significativos também nas lavouras de safrinha”. Além dos danos ambientais e econômicos, a presença dos animais representa riscos à saúde animal e humana, em razão da possibilidade de transmissão de doenças.

“Temos dez caçadores aqui em Sacramento, que abatem uma média de sete a oito animais cada um, chegando a cerca de cem javalis por semana. Mas isso não está fazendo a mínima diferença. Nos monitoramentos com câmeras, não identificamos redução na população. Agora, começaram a ocorrer acidentes nas rodovias, porque o número de animais está tão grande que eles atravessam as estradas. Já tivemos acidentes graves com javalis, inclusive nas estradas de terra”, acrescenta Osny.

Prevenção sanitária e articulação nacional

A prevenção sanitária, especialmente em relação à Peste Suína Africana (PSA), foi um dos temas centrais do fórum. A doença viral contagiosa representa uma ameaça à suinocultura e ao patrimônio sanitário brasileiro.

Durante o encontro, foram apresentados diagnósticos estaduais e nacionais, atualizações sobre a legislação e experiências práticas de manejo, com a participação de especialistas e representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Ibama e Semil, entre outros órgãos.

Os participantes também trabalharam na definição de prioridades e na elaboração de uma matriz de compromissos, com ações e responsáveis para ampliar a efetividade das medidas de controle.

A proposta foi estruturada em quatro premissas:

  • Tratamento rigoroso e proporcional à gravidade do problema;
  • Estruturação de uma política pública de Estado integrada;
  • Estratégias fundamentadas em ciência e coordenação institucional;
  • Aceleração e efetividade das medidas no campo.

Em Minas Gerais, a Assembleia Legislativa aprovou um projeto de lei que autoriza o controle populacional da espécie em todo o estado, ampliando a relevância do debate sobre os mecanismos de enfrentamento da invasão biológica e seus impactos sobre a produção rural e a conservação ambiental.